Aos 25 anos, Silvia Bacim recebeu o diagnóstico que mudaria sua vida. Em 2021, a jaguariense descobriu um câncer de mama após perceber, durante o autoexame, uma alteração na mama. O que começou com um toque e a percepção de que algo estava diferente deu início a uma longa jornada de consultas, exames, medos e desafios.
Hoje, aos 33 anos, Silvia conta sua história com a tranquilidade de quem enfrentou um dos períodos mais difíceis da vida e encontrou na família, especialmente na irmã mais velha, Maiara, o apoio necessário para seguir em frente. Ela está curada da doença e continua realizando acompanhamento médico.
A história de Silvia integra a reportagem especial do Portal G+ neste Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama e à importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado com a saúde.
O TOQUE QUE MUDOU TUDO
A descoberta aconteceu quando Silvia percebeu algo diferente na própria mama. Atenta às mudanças do corpo, procurou atendimento médico e realizou os exames necessários. Pouco depois, veio a confirmação do diagnóstico.
“Eu descobri o câncer porque eu me toquei e senti que tinha algo de diferente na minha mama. No mesmo momento, já procurei um médico”, conta.
A partir dali, começou uma rotina de consultas e exames, acompanhada por muitas dúvidas e pelo medo diante do desconhecido. Apesar do impacto da notícia, identificar a alteração e buscar atendimento foram passos importantes naquele momento.
Silvia enfrentou oito sessões de quimioterapia, 12 de imunoterapia e três cirurgias. O tratamento foi intenso e provocou efeitos que comprometeram significativamente sua disposição e sua condição física.
“Eu fiz quimioterapias que terminaram com tudo de bom que tinha no meu corpo. Fiquei bastante debilitada e precisei de ajuda para fazer praticamente tudo”, relembra.
Mesmo nos dias mais difíceis, ela procurava manter a esperança e encontrar forças para continuar.
O MEDO DE PERDER O CABELO E A DESCOBERTA DO QUE REALMENTE IMPORTA
Entre as preocupações que acompanharam Silvia no início do tratamento estava a queda do cabelo, um dos efeitos mais conhecidos da quimioterapia.
Com medo de presenciar o momento em que os fios começassem a cair, decidiu cortar o cabelo antes. Com o passar do tempo, porém, sua percepção mudou.
Ela entendeu que, diante de tudo o que estava enfrentando, a perda do cabelo era pequena perto da importância de recuperar a saúde e continuar vivendo. Durante essa fase, também contou com gestos de carinho e solidariedade de pessoas que cortaram o cabelo para demonstrar apoio.
A experiência trouxe aprendizados que vão além do tratamento. Silvia precisou lidar com as mudanças físicas, com o desgaste emocional e com a necessidade de aceitar ajuda, inclusive para realizar tarefas simples do cotidiano.
MAIARA, A IRMÃ QUE NUNCA SOLTOU SUA MÃO
Se o tratamento exigiu força física e emocional, o apoio familiar foi fundamental para que Silvia conseguisse atravessar cada etapa. Ao seu lado, desde as primeiras consultas, esteve a irmã mais velha, Maiara.
Ela acompanhou Silvia durante o processo, dividiu as angústias e ajudou a enfrentar os momentos em que o medo e o cansaço pareciam maiores do que as forças disponíveis.
“Minha irmã Maiara é o meu maior alicerce. Ela me dava força para enfrentar tudo o que enfrentei”, destaca.
Silvia também recorda as palavras que se tornaram uma espécie de compromisso diário entre as duas. Maiara dizia que havia espaço para a tristeza, mas que era preciso encontrar forças para continuar no dia seguinte.
“Hoje tu pode chorar, vamos chorar juntas, mas amanhã tu vai levantar e vai seguir lutando”, lembra Silvia sobre o que ouvia da irmã. E assim, um dia de cada vez, elas seguiram.
A preocupação também se estendia aos pais. Silvia queria enfrentar a doença sem aumentar ainda mais o sofrimento da família, mas reconhece que não teria conseguido passar por tudo sozinha.
Além de Maiara, familiares e amigos tiveram papel essencial durante o tratamento. O carinho recebido se transformou em motivação para continuar lutando.
“Eu recebi tanto amor, que só queria melhorar por eles, para tirar todo mundo daquela situação de medo”, relata.
A experiência também fez Silvia refletir sobre o impacto do câncer na vida de quem acompanha o paciente. Para ela, a doença não é difícil apenas para quem recebe o diagnóstico, mas também para aqueles que cuidam, acompanham consultas e convivem diariamente com a incerteza.
Por isso, faz questão de reconhecer o valor de ter alguém ao lado durante essa caminhada. Ao mesmo tempo, lembra que nem todas as pessoas contam com uma rede de apoio como a que ela encontrou em Maiara.
UMA NOVA FASE, COM GRATIDÃO PELA VIDA
Depois de enfrentar oito sessões de quimioterapia, 12 de imunoterapia e três cirurgias, Silvia chegou a uma etapa que, no início da jornada, parecia distante: a recuperação.
Hoje, ela afirma estar curada do câncer de mama, embora continue em acompanhamento médico. A experiência deixou marcas, mas também transformou sua maneira de olhar para a vida, para a saúde e para as pessoas que estiveram ao seu lado.
A história que começou com a percepção de uma alteração no próprio corpo se tornou um testemunho de coragem, persistência e amor familiar.
Ao compartilhar sua trajetória, Silvia espera que outras mulheres compreendam a importância de prestar atenção aos sinais do organismo e não adiar a busca por atendimento médico.
A MENSAGEM DE SILVIA PARA O OUTUBRO ROSA
Neste mês de conscientização sobre o câncer de mama, Silvia deixa um recado direto às mulheres: conhecer o próprio corpo e procurar ajuda diante de qualquer mudança pode fazer a diferença.
“Conheçam o seu corpo, façam o autoexame e, diante de qualquer mudança, procurem seu médico”, aconselha.
O autoexame pode ajudar a perceber alterações, mas não substitui a avaliação profissional nem os exames de rastreamento indicados para cada mulher. Alterações na mama devem ser avaliadas por um profissional de saúde, mesmo quando não há dor.
A história de Silvia Bacim reforça a importância da atenção à própria saúde, da busca por diagnóstico e tratamento e do acolhimento durante a doença.
Neste Outubro Rosa, seu relato também lembra que, por trás de cada diagnóstico, existe uma pessoa, uma família e uma história de luta. E que informação, cuidado e apoio podem fazer parte de uma caminhada em busca da recuperação e de uma nova oportunidade de viver.
