Uma investigação da Polícia Civil de Jaguari revelou novos detalhes sobre uma ocorrência registrada em 12 de julho de 2026, quando Lawrence Fiorin Martini e sua companheira foram presos em flagrante após a Brigada Militar encontrar uma arma de fogo, munições e drogas no pátio da residência na rua Edu Marchiori.
Conforme a investigação, o material ilícito teria sido colocado no local clandestinamente com o objetivo de incriminar Lawrence. A apuração aponta como possível motivação uma disputa judicial pela guarda do filho que ele tem com a ex-companheira, Maíne Guerra Baccin. Além dela, outros três suspeitos são investigados, entre eles um advogado e uma policial militar de Porto Alegre.
COMO A OCORRÊNCIA COMEÇOU
Na noite de 12 de julho, a Brigada Militar recebeu aproximadamente 19 ligações ao telefone de emergência 190. Os comunicantes afirmavam que um homem estaria agredindo a companheira e efetuando disparos de arma de fogo. As denúncias também indicavam o local onde uma arma estaria escondida, em um vaso de flores no pátio da residência.
No endereço, os policiais localizaram uma bolsa contendo um revólver calibre .32 com numeração suprimida, munições de diferentes calibres, aproximadamente 75 gramas de cocaína e 49 gramas de maconha, parte dela fracionada em porções. Diante da apreensão, Lawrence e a companheira foram presos em flagrante e conduzidos à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA).
Durante as diligências, entretanto, os investigadores identificaram circunstâncias que levantaram dúvidas sobre a dinâmica relatada nas ligações. Segundo a apuração, não havia sinais aparentes de agressão, e o casal negava ter ocorrido uma discussão. Ambos também afirmavam desconhecer a origem dos materiais encontrados.
IMAGENS E DADOS TELEFÔNICOS AJUDARAM A RECONSTRUIR OS FATOS
A Polícia Civil analisou imagens de câmeras de segurança da residência e de imóveis próximos. As gravações registraram um Fiat Pulse branco circulando repetidamente nas imediações. Por volta das 22h18min, um indivíduo usando moletom claro e com o rosto aparentemente encoberto foi filmado aproximando-se do imóvel com um volume sob a roupa. Para os investigadores, esse momento pode corresponder à entrada da bolsa com a arma, as munições e as drogas no pátio.
O veículo teria saído da Região Metropolitana de Porto Alegre em direção a Jaguari e retornado durante a madrugada. Registros de pedágio da BR-287 mostraram um homem e uma mulher se revezando na condução.
Outro elemento considerado relevante foi a descoberta de que as 19 ligações ao 190 partiram de apenas duas linhas telefônicas, ambas habilitadas no dia da ocorrência e cadastradas em nome de terceiros.
A análise dos aparelhos, das contas digitais vinculadas e dos registros de conexão às antenas de telefonia apontou deslocamentos compatíveis com o trajeto do automóvel, reforçando a hipótese de uma ação coordenada.
QUAL SERIA A PARTICIPAÇÃO DOS INVESTIGADOS?
Conforme a investigação, Maíne Guerra Baccin teria idealizado e coordenado a suposta ação, motivada pela disputa judicial pela guarda do filho com Lawrence Fiorin Martini. O advogado é apontado como possível colaborador no planejamento e na logística. Segundo a apuração, ele teria sido responsável pela retirada e pela devolução do Fiat Pulse à locadora em Porto Alegre.
Os outros dois investigados, entre eles uma policial militar, são suspeitos de participação na execução do plano, no deslocamento até Jaguari e nas comunicações que teriam provocado a intervenção da Brigada Militar.
A Polícia Civil também apura se existe relação entre o caso e uma abordagem anterior de Lawrence pela Polícia Rodoviária Federal. Cerca de dois meses antes, ele teria sido abordado após uma denúncia de que transportaria armas no veículo. Na ocasião, segundo as informações da investigação, nada de ilícito foi encontrado.
POLÍCIA REPRESENTOU PELA PRISÃO TEMPORÁRIA
Diante dos elementos reunidos, a autoridade policial representou pela prisão temporária dos quatro investigados pelo prazo de 30 dias, visando aprofundar as diligências e esclarecer a participação de cada um.
Entre as hipóteses criminais apuradas estão associação criminosa, tráfico de drogas, infrações relacionadas a armas de fogo e falsas comunicações às autoridades.
A investigação se baseia no cruzamento de imagens de segurança, registros de pedágio, dados telefônicos, identificação de aparelhos celulares e informações de contas digitais. A Polícia Civil também busca esclarecer se outras pessoas participaram dos fatos.
A apuração segue em andamento. As suspeitas atribuídas aos envolvidos fazem parte da linha investigativa e não representam, por si só, comprovação de culpa. A responsabilidade criminal dependerá da análise das provas e da decisão judicial, com garantia do direito de defesa e da presunção de inocência.
