A baixa adesão à vacinação em gestantes contra a gripe e a covid-19 tem preocupado autoridades de saúde no Brasil em 2026, devido ao aumento de casos graves de infecções respiratórias. Especialistas alertam que a hesitação vacinal coloca em risco a vida das mães e dos bebês, que dependem da imunização materna para nascerem protegidos contra vírus de alta circulação.
Na contramão dessa tendência, gestantes como Nataly Saldanha, moradora do Rio de Janeiro, fazem questão de manter a caderneta atualizada. Grávida de 39 semanas, ela seguiu rigorosamente as orientações médicas durante o pré-natal. "Quero garantir que minha filha nasça 100% saudável", afirma Nataly, que priorizou a imunização desde o início da gestação.
A analista de marketing Raissa Silva de Oliveira, na 34ª semana de gravidez, compartilha do mesmo cuidado. Ela ressalta que o incentivo do seu obstetra foi fundamental para tirar dúvidas e assegurar que todas as doses recomendadas fossem aplicadas no tempo correto, reforçando sua confiança na ciência e na segurança das vacinas.
No entanto, a realidade nacional aponta para coberturas vacinais preocupantes. Dados do Ministério da Saúde revelam que, recentemente, apenas 55% das grávidas receberam a vacina contra a covid-19. No caso da influenza, o índice atingiu 76%, mas ainda permanece distante da meta ideal de 90% estipulada pelo governo federal para proteger esse público-alvo vulnerável.
As consequências dessa baixa cobertura são graves. De 2022 até agosto de 2026, pelo menos 286 gestantes ou puérperas desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Influenza, resultando em 25 mortes. No mesmo período, a covid-19 causou 205 casos graves e 21 óbitos, evidenciando a letalidade desses vírus quando não combatidos pela imunização prévia.
Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), aponta que a desinformação e a desvalorização da gravidade da gripe alimentam o cenário. Ela desmistifica boatos sobre as vacinas de covid-19: "Não há tecnologia experimental. Trata-se de plataformas seguras, amplamente testadas e que receberam investimentos globais para garantir proteção rápida e eficaz".
A importância do calendário vacinal materno
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente outras quatro vacinas essenciais para as grávidas: hepatite B, dT (dupla bacteriana), dTpa (tríplice bacteriana acelular) e a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). Em situações excepcionais de surto ou viagem para áreas de risco, a vacina de febre amarela também pode ser recomendada.
A ginecologista Giuliane Lajos, membra da Febrasgo, defende que a imunização deve ser prioridade absoluta no pré-natal. Ela explica que a gravidez altera naturalmente o sistema imunológico da mulher para que o corpo aceite o feto. Essa mudança biológica, somada à redução do espaço pulmonar, torna as gestantes muito mais suscetíveis a complicações infecciosas.
Além de proteger a mãe, a vacinação garante a transferência de anticorpos para o bebê através da placenta. Como os recém-nascidos só começam a receber as vacinas contra gripe e covid-19 aos 6 meses, eles dependem exclusivamente dessa imunidade passiva nos primeiros meses de vida para evitar internações e desfechos trágicos.
O sucesso de outras campanhas comprova a eficácia dessa estratégia. A vacina dTpa, que protege contra a coqueluche, alcançou 94% de cobertura em 2025, reduzindo drasticamente os casos da doença em lactentes. Da mesma forma, a recente introdução da vacina contra o VSR já reduziu pela metade as internações por bronquiolite em bebês menores de 6 meses.
Para reverter os índices atuais de gripe e covid-19, especialistas cobram maior engajamento dos profissionais de saúde na linha de frente. Na Clínica da Família Ricardo Lucarelli, no Rio de Janeiro, a médica Catarina Jatobá de Souza adota a estratégia de conferir a carteira de vacinação em todas as consultas, facilitando o acesso imediato à imunização.

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