Um estudo inédito do McKinsey Health Institute, divulgado nesta terça-feira (6) em San José, na Costa Rica, revela que o investimento em saúde direcionado e estratégico pode evitar 739 mil mortes prematuras no Brasil até 2050. A pesquisa aponta que a aplicação correta de recursos tem o potencial de injetar mais de R$ 1 trilhão na economia brasileira, transformando a realidade social do país.
Apresentado durante um encontro de jornalistas promovido pela farmacêutica Roche, o relatório "A saúde das nações: saúde mais forte, economias mais fortes" propõe uma mudança de paradigma. Segundo Brad Herbig, diretor de dados de saúde do instituto, o foco não deve ser apenas aumentar os gastos, mas destinar verbas para ações comprovadamente custo-efetivas e baseadas em evidências científicas.
A análise econômica do estudo demonstra um retorno financeiro expressivo para o país. No Brasil, cada dólar aplicado de forma eficiente em saúde gera um retorno estimado de 2,1 dólares para o Produto Interno Bruto (PIB). Esse ganho decorre do aumento da produtividade, impulsionado pela redução de óbitos precoces e pela queda nos índices de adoecimento da população ativa.
Impacto na qualidade de vida
As projeções para o cenário nacional indicam que as intervenções corretas podem elevar a expectativa de vida do brasileiro em cinco anos, alcançando a média de 85 anos. Mais importante ainda, o tempo vivido com plena saúde subiria em nove anos, saltando para a média de 76 anos, reduzindo o sofrimento das famílias e os custos do sistema público.
De acordo com o relatório, 59% do impacto positivo no Brasil viria de medidas preventivas. O estudo avaliou 300 intervenções voltadas a 90 doenças e 27 fatores de risco. Entre as principais ações recomendadas estão a taxação de produtos nocivos, como cigarro e álcool, além de campanhas de vacinação em massa e exames preventivos periódicos.
Desafio na América Latina
O panorama latino-americano acende um alerta: os países da região investem, em média, apenas 3,7% do PIB em saúde, contra 7,9% das nações desenvolvidas. Desse montante, menos de 5% é destinado à prevenção, gerando um "débito de saúde" que sobrecarrega a economia diante de um envelhecimento populacional acelerado e do avanço da obesidade.

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