A Petrobras confirmou uma segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado na bacia da Foz do Amazonas, nesta sexta-feira (2). A revelação reforça o otimismo da estatal em consolidar uma nova e promissora fronteira energética em águas ultraprofundas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.
O poço exploratório, denominado tecnicamente como 1-BRSA-1405-APS, está situado sob uma lâmina d’água de 2.886 metros de profundidade. Segundo a presidente da companhia, Magda Chambriard, os indícios de viabilidade comercial são fortes, embora ainda dependam de análises complementares para confirmação definitiva.
A dirigente destacou que as sucessivas confirmações na área aumentam o valor dos ativos exploratórios da empresa. Durante apresentação à imprensa, Chambriard exibiu uma amostra do óleo recuperado, classificando-o como de excelente qualidade e baixa viscosidade, características que elevam o valor de mercado do produto.
Estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam que a região pode abrigar até 10 bilhões de barris de óleo equivalente. Esse volume expressivo é visto como crucial para mitigar o declínio projetado na produção nacional de hidrocarbonetos nos próximos anos.
Cronograma de atividades e próximos passos
Os testes em andamento no poço Morpho devem ser concluídos até o fim de outubro. Na sequência, a sonda de perfuração será deslocada para a Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte, onde atuará no prospecto Mãe de Ouro a partir de novembro.
A Petrobras, que obteve licença do Ibama para operar na região em outubro de 2025, planeja retornar à bacia nortista no início de 2027. O planejamento prevê a perfuração de três novos poços para delimitar o tamanho exato das reservas encontradas.
Pressão jurídica e questionamentos ambientais
Apesar do avanço técnico, o projeto enfrenta forte oposição jurídica. O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) solicitando a suspensão imediata da licença de operação concedida pelo órgão ambiental.
Os procuradores apontam riscos ecológicos, citando um vazamento de fluido químico ocorrido em janeiro deste ano, e criticam a falta de consulta prévia às comunidades tradicionais da região, violando normas internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se