Uma auditoria recente realizada pelo governo do estado do Rio de Janeiro identificou graves indícios de desvios na Cedae Saúde que ultrapassam a marca de R$ 400 milhões. A investigação aponta para um esquema de pagamentos irregulares e favorecimento de empresas associadas à antiga gestão da Caixa de Assistência dos Empregados da Cedae, que atende cerca de 17 mil beneficiários fluminenses.
O relatório detalhado com os resultados das investigações será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). O objetivo é aprofundar as apurações criminais e adotar as medidas judiciais cabíveis para recuperar o patrimônio público.
Apagamento de dados e recuperação
As investigações começaram após a demissão do ex-presidente da instituição, Eric Frederik Gualberto, em junho de 2026. Ao assumir o controle, a nova administração descobriu que registros contábeis cruciais, datados de dezembro de 2023 a abril de 2026, haviam sido completamente apagados dos sistemas.
Apesar da tentativa de ocultação, peritos conseguiram recuperar o banco de dados. Os arquivos revelaram que quatro empresas integradas a uma offshore de Eric Frederik Gualberto, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, receberam repasses suspeitos de R$ 95 milhões durante o período de sua gestão.
Redução drástica de custos
A auditoria também expôs uma disparidade gritante nos repasses mensais efetuados pela Cedae para manter a assistência médica. Anteriormente, a diretoria repassava cerca de R$ 20 milhões por mês à entidade. Sob a nova gestão, o custo operacional despencou para R$ 6 milhões mensais.
Essa queda repentina de 70% nos gastos correntes evidencia o tamanho do superfaturamento que ocorria na gestão anterior. Fundada em 1988, a Cedae Saúde desempenha um papel vital na assistência de funcionários ativos, aposentados e pensionistas, tornando o caso ainda mais sensível para a administração pública estadual.

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