O caso atual começou em 12 de julho de 2026, quando a Brigada Militar recebeu cerca de 19 ligações denunciando uma suposta situação de violência doméstica em uma residência de Jaguari. As denúncias também indicavam que haveria uma arma escondida no pátio do imóvel.
Quando os policiais chegaram ao endereço, encontraram uma bolsa contendo um revólver calibre .32 com numeração suprimida, munições de diferentes calibres, aproximadamente 75 gramas de cocaína e 49 gramas de maconha. O casal que estava na residência acabou preso em flagrante.
A versão, porém, passou a ser questionada durante a investigação da Polícia Civil.
CÂMERAS E TELEFONES MUDARAM O RUMO DO CASO
De acordo com a investigação conduzida pela Polícia Civil de Jaguari, imagens de câmeras de segurança mostraram um veículo circulando repetidamente nas proximidades da residência.
As imagens também registraram, por volta das 22h18min, uma pessoa com o rosto aparentemente encoberto se aproximando do imóvel carregando um volume sob a roupa.
A partir de registros de câmeras, pedágios, dados telefônicos e informações fornecidas por empresas de tecnologia, os investigadores conseguiram reconstruir parte do deslocamento dos suspeitos.
Segundo a polícia, um veículo alugado saiu da Região Metropolitana de Porto Alegre, deslocou-se até Jaguari e retornou durante a madrugada.
As 19 ligações feitas ao telefone 190 também chamaram a atenção dos investigadores. Conforme a apuração, elas partiram de apenas duas linhas telefônicas, habilitadas no mesmo dia e registradas em nome de terceiros.
DISPUTA PELA GUARDA DE UMA CRIANÇA
A principal linha investigativa aponta que a suposta armação teria relação com uma disputa judicial pela guarda de uma criança.
Conforme a Polícia Civil, Maíne Guerra Baccin teria participado do planejamento da ação, enquanto um advogado teria fornecido apoio logístico. Outros dois investigados são apontados como possíveis executores da ação, entre eles uma policial militar.
A investigação aponta que o objetivo seria fazer com que a Brigada Militar encontrasse drogas e uma arma na residência e, consequentemente, prendesse Lawrence, ex-marido e pai do filho de Maíne, por crimes que, segundo a hipótese investigada, ele não teria cometido.
A Polícia Civil representou pela prisão temporária dos quatro investigados pelo período de 30 dias.
UM NOME QUE JÁ HAVIA APARECIDO EM OUTRA INVESTIGAÇÃO
A identificação de Maíne Baccin chama atenção porque seu nome já havia aparecido em uma investigação de grande repercussão envolvendo o Hospital de Caridade de Jaguari.
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Paralelo Cinco, que investigava um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à saúde. A apuração envolvia o IRDESI, instituto responsável pela gestão do hospital de Jaguari, e outras estruturas de saúde.
Segundo a Polícia Federal, os hospitais de Jaguari e Embu das Artes receberam mais de R$ 340 milhões em recursos públicos entre 2022 e agosto de 2025. A investigação apontou suspeitas envolvendo empresas de fachada, notas fiscais inidôneas e movimentações financeiras sem relação aparente com os serviços contratados.
Humberto Silva Baccin, companheiro de Maíne, foi preso pela Polícia Federal em Cuiabá durante a operação e era apontado como um dos principais investigados.
Maíne também aparece entre os investigados relacionados à Operação Paralelo Cinco em registros judiciais posteriores.
DO CASO DO HOSPITAL À NOVA INVESTIGAÇÃO
Agora, menos de um ano depois da operação que colocou o nome do casal no centro de uma investigação envolvendo recursos da saúde, Maíne volta a aparecer em uma apuração policial, desta vez relacionada a uma suposta tentativa de incriminar o ex-marido.
