Nesta quarta-feira (7), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis realiza o maior leilão da ANP de sua história, no Rio de Janeiro. A rodada bilionária colocará em disputa 326 blocos para exploração e produção de petróleo e gás natural, atraindo gigantes globais do setor interessadas em repor suas reservas de hidrocarbonetos.
O certame é dividido em dois modelos de contratação. Pela manhã, o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção ofertará 13 áreas estratégicas no pré-sal, localizadas nas bacias de Santos e Campos. Atualmente, essa região responde por mais de 80% de toda a produção nacional de combustíveis fósseis.
Para esta etapa de partilha, 19 petroleiras multinacionais estão habilitadas, incluindo marcas como Chevron, Shell e TotalEnergies. A brasileira Petrobras possui direito de preferência garantido por lei, o que lhe permite assegurar uma participação mínima de 30% como operadora nos consórcios vencedores.
Disputa por concessões e Margem Equatorial
No período da tarde, o foco muda para o 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, que disponibiliza 313 blocos. Entre os destaques estão dois setores na Bacia do Ceará, que integra a cobiçada Margem Equatorial, apontada como a nova fronteira exploratória do Brasil.
O interesse na Margem Equatorial cresceu após descobertas recentes na Guiana e no Suriname. Contudo, o leilão sofreu desfalques de última hora. A ANP retirou cinco blocos na Bacia do Parnaíba devido a inconsistências técnicas na aplicação de critérios socioambientais protetivos.
Debate sobre transição e soberania
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) defende a urgência dos leilões para evitar o declínio da produção nacional a partir de 2030. Segundo a entidade, a oferta constante de novas áreas traz previsibilidade e atrai investimentos de longo prazo.
Por outro lado, o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep) alerta para a ausência de lances iniciais da Petrobras como operadora preferencial nesta rodada. Para os analistas do órgão, isso pode acelerar a presença de capital estrangeiro sobre as reservas estratégicas do país.
O leilão também enfrenta forte resistência de movimentos socioambientais. O Instituto Arayara moveu ações civis públicas apontando riscos de sobreposição dos blocos com terras indígenas, quilombolas e unidades de conservação, prometendo protestos em frente à sede da agência reguladora.

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