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Domingo, 27 de Setembro 2026
Unicef alerta que pais enxergam a palmada como disciplina e não como violência
Direitos Humanos

Unicef alerta que pais enxergam a palmada como disciplina e não como violência

Levantamento aponta que a lei da palmada ainda é pouco conhecida e que o tapa é confundido com método educativo no país.

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Um levantamento divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela que muitos responsáveis ainda enxergam a palmada como um método de disciplina, e não como uma forma de violência física. A pesquisa ouviu centenas de pessoas em áreas vulneráveis do país para entender o comportamento de pais e cuidadores na primeira infância.

Enquanto aguardava o transporte público em Brasília, a autônoma Andrea, de 32 anos, refletia sobre o desafio de lidar com as birras cotidianas sem recorrer a agressões físicas. Ela recorda os castigos sofridos na infância e garante que prefere o diálogo exaustivo a repetir o mesmo comportamento com o filho de 6 anos.

Olhar distorcido e naturalização

O diagnóstico buscou mapear os motivos que levam responsáveis a agredir crianças de até 6 anos. Os relatos coletados mostram uma clara distinção feita pelas próprias famílias entre o espancamento severo e o que chamam de tapa educativo.

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“As famílias sequer consideram o tapa ou a chinelada como violência”, aponta a pesquisadora Luiza Teixeira, especialista de Proteção à Criança do Unicef no Brasil. Para ela, a sociedade naturaliza práticas agressivas devido a normas sociais enraizadas.

Desconhecimento da legislação

A Lei Menino Bernardo, conhecida popularmente como a lei da palmada, completou 12 anos de vigência integrada ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Contudo, o estudo demonstra que o texto legal permanece amplamente desconhecido ou mal interpretado nos lares brasileiros.

A pesquisa mapeou 214 participantes em regiões vulneráveis do Rio de Janeiro, Recife e Manaus. Os dados reforçam que a criação dos filhos ainda é tratada como um assunto estritamente privado, o que isola as famílias e silencia a comunidade ao redor.

Impactos no desenvolvimento infantil

Especialistas reforçam que punições físicas geram medo e submissão, mas não ensinam habilidades de autocontrole. Na primeira infância, o cérebro ainda está em plena maturação, o que limita a capacidade da criança de gerenciar frustrações sem o suporte empático de um adulto.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Wilson Dias/Agência Brasil

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