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Sexta-feira, 11 de Setembro 2026
Brasil reduz distância da OCDE no Pisa 2025, mas nível de aprendizado segue baixo
Educação

Brasil reduz distância da OCDE no Pisa 2025, mas nível de aprendizado segue baixo

Estabilidade em relação às edições anteriores reflete queda na média dos países desenvolvidos e mantém desafio no ensino de matemática.

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A aproximação dos estudantes brasileiros em relação à média da OCDE no Pisa 2025 ocorreu principalmente pela queda no desempenho de outros países, e não por avanços expressivos no aprendizado nacional. Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o país manteve seus resultados estáveis, mas ainda enfrenta grandes desafios para alcançar melhorias reais na educação básica.

Coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes mensura o conhecimento de alunos de 15 anos nas áreas de matemática, leitura e ciências. Na edição mais recente, o Brasil registrou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências, permanecendo abaixo da média global.

"O país tem mantido seus resultados relativamente estáveis, enquanto a média da OCDE recuou. Portanto, embora tenha evitado uma piora, o desafio brasileiro continua sendo promover ganhos consistentes de aprendizagem", afirma Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann.

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A defasagem em relação aos países membros é expressiva: em matemática, a pontuação brasileira representa um atraso equivalente a 4,6 anos escolares. Contudo, ao analisar a série histórica entre 2006 e 2025, a diferença de pontuação para os países da OCDE diminuiu em todas as disciplinas avaliadas.

Ganhos em escala e desafios educacionais

Para Rodrigo Fulgêncio, 1º vice-presidente da Abraspe, a melhoria de longo prazo é visível em ciências e leitura. No entanto, ele pondera que a redução da distância decorre da queda internacional, especialmente na área exata.

Apesar da estabilidade evitar retrocessos maiores, o nível educacional permanece alarmante. Apenas 28% dos estudantes alcançaram o nível mínimo de proficiência em matemática, aponta Jalman Lima, gerente da CASIO Educação. Ele destaca a necessidade de desenvolver a capacidade analítica e de interpretação dos alunos.

Outra preocupação constante reside na profunda desigualdade socioeconômica. Em ciências, a diferença de nota entre os estudantes mais vulneráveis e os mais abastados alcança 96 pontos, valor correspondente a quase cinco anos de escolaridade média.

Uso de tecnologia e celular na escola

O levantamento do Pisa 2025 também revelou mudanças no comportamento em sala de aula. Cerca de 81% dos alunos brasileiros frequentam escolas com restrições ao uso de celular, um aumento significativo comparado aos 37% registrados em 2022.

Por outro lado, 46% dos estudantes utilizam Inteligência Artificial semanalmente para estudar. Além disso, a chamada "leitura apressada" quase dobrou desde 2018, acendendo um alerta sobre a capacidade crítica e de concentração dos jovens diante das ferramentas digitais.

"Ampliar o acesso à informação e à tecnologia não garantiu maior aprendizagem. O desafio atual é ajudar os estudantes a sustentar a atenção, ler com profundidade e utilizar a tecnologia para ampliar o pensamento", conclui Fulgêncio.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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