Um levantamento divulgado pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global revelou que a violência política atingiu níveis inéditos na última década. Foram contabilizados 354 casos entre outubro de 2024 e agosto de 2026, configurando o período pré-eleitoral mais alarmante já registrado no país.
Para Gisele Barbieri, coordenadora da ONG Terra de Direitos, o cenário representa uma ameaça direta à integridade dos mandatários. Além disso, coloca em risco a sustentabilidade das instituições e do próprio regime democrático.
As mulheres foram alvo de 50,6% dos episódios mapeados. O dado contrasta com a baixa representatividade feminina, já que elas ocupam apenas cerca de 18% das cadeiras legislativas, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Gisele defende uma atuação conjunta do Estado para enfrentar a situação.
“Principalmente no que se refere aos casos contra mulheres, cisgêneras, transexuais e travestis que foram metade das vítimas dos episódios de violência política”, afirma.
Enquanto a violência física teve os homens como principais alvos, a violência simbólica atingiu majoritariamente as mulheres. Ameaças de cunho sexual foram direcionadas exclusivamente a elas.
Violência racial
O estudo aponta disparidades raciais profundas. Entre as mulheres vítimas, uma em cada três era preta. A pesquisa também destacou ameaças de cunho neonazista direcionadas a lideranças políticas negras em diferentes regiões do país.
Violência nas cidades
Pelo menos 63% dos casos concentraram-se na política municipal, afetando principalmente vereadores e prefeitos. A impunidade ainda é um grande desafio, com baixíssimo índice de punição efetiva para os agressores identificados.

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