Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 09 de Setembro 2026
Câmara debate criação da Comissão da Verdade Indígena em audiência pública
Política

Câmara debate criação da Comissão da Verdade Indígena em audiência pública

Iniciativa da deputada Sônia Guajajara busca responsabilizar o Estado brasileiro por violações e crimes cometidos durante a ditadura militar.

Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A Câmara dos Deputados realiza, no dia 17 de novembro, uma audiência pública para discutir a criação da Comissão da Verdade Indígena (CNIV). A iniciativa, articulada pela deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP), visa apurar e responsabilizar o Estado brasileiro por crimes cometidos contra os povos originários durante o regime militar.

A reunião atende ao Requerimento nº 86/2026, aprovado pela Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais. Organizações como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) sustentam que a medida é essencial para reunir provas de ações autoritárias ocorridas entre 1964 e 1985.

O objetivo central da CNIV é expor violências estatais que incluíram remoções forçadas, envenenamentos, torturas, estupros, prisões ilegais e assassinatos. O processo também visa mapear a destruição do patrimônio cultural e o desaparecimento de integrantes de diversas etnias.

Publicidade

Leia Também:

O evento reunirá lideranças indígenas, juristas, gestores públicos e pesquisadores. O grupo pretende complementar os dados apurados pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), vista como relevante, mas insuficiente, por ter analisado os impactos em apenas dez populações indígenas.

Essas dez etnias — como Yanomami, Xavante, Panará e Waimiri-Atroari — representavam 3,3% dos grupos reconhecidos na época, somando estimadas 8.350 mortes. No entanto, o Brasil registra atualmente 305 povos, sem contar aqueles que vivem em situação de isolamento.

Mobilização e críticas ao relatório inicial

O jornalista Marcelo Zelic, falecido em maio de 2023, desempenhou papel fundamental nessa cobrança. Como membro do Grupo de Trabalho Indígena da CNV, ele contestou fortemente a versão preliminar do relatório final entregue em 2014.

A versão inicial do documento continha apenas 35 páginas, o que equivalia a menos de duas páginas para sintetizar 21 anos de graves abusos em cada estado brasileiro. Diante dos protestos liderados por Zelic, o texto foi substituído pelo colegiado.

Zelic denunciou a cumplicidade do Estado, ressaltando o papel de agentes do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) e da Fundação Nacional do Índio (Funai). Ele também idealizou o projeto Armazém Memória e propôs uma estrutura de comissões descentralizadas para subsidiar as reparações.

Em declaração sobre a pauta, a deputada Sônia Guajajara enfatizou: “Não podemos construir uma democracia verdadeira sem reconhecer as violências cometidas contra os povos indígenas. Precisamos garantir o direito à memória e à verdade, identificar responsabilidades e construir políticas de reparação integral para que essas violações nunca mais se repitam”.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Bruno Peres/Agência Brasil

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR