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Quinta-feira, 10 de Setembro 2026
Moradores de favelas no Rio priorizam educação e trabalho nas eleições
Política

Moradores de favelas no Rio priorizam educação e trabalho nas eleições

Pesquisas e relatos mostram que a segurança baseada em confrontos policiais perde espaço para demandas por direitos sociais básicos.

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Nas eleições de outubro no Estado do Rio de Janeiro, cerca de 2,1 milhões de moradores de favelas demandam prioridade para educação, saúde e emprego. Esses eleitores, que representam expressiva parcela dos 12,8 milhões de votantes fluminenses segundo dados do Censo IBGE 2022, cobram do Poder Público ações para reduzir as profundas desigualdades sociais e a falta de serviços essenciais nos territórios populares.

Apenas na capital fluminense, cerca de 1,3 milhão de pessoas residem em 813 comunidades. Segundo a professora Eblin Farage, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Favelas e Espaços Populares (NEPFE) da UFRJ, a precariedade do saneamento e da infraestrutura evidencia a ausência histórica de políticas públicas estruturadas nesses locais.

Com a aproximação do pleito municipal, os cidadãos relatam necessidades urgentes que vão além da pauta tradicional de combate ao crime. O acesso à cidade por meio do transporte público e espaços de lazer de qualidade figuram entre as principais exigências dos residentes.

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A jovem ativista Letícia Vitória Guimarães, de 16 anos, moradora do Complexo do Alemão e integrante do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente, votará pela primeira vez. Ela ressalta a importância de escolher candidatos comprometidos com os direitos humanos e abertos ao diálogo real com as periferias.

Letícia pontua que a mobilidade urbana deficitária prejudica o lazer e o acesso ao mercado de trabalho. De acordo com a estudante da PUC-Rio, a escassez de linhas diretas entre a zona norte e a zona sul isola a juventude periférica e limita suas oportunidades.

Trabalho e renda

A remuneração de programas como o Jovem Aprendiz também é alvo de críticas por não cobrir os custos com transporte e alimentação. Paralelamente, a jornalista Isabelle Rodrigues Trindade, de 26 anos, moradora da Rocinha, destaca que a busca por emprego e o debate sobre o fim da escala 6x1 são prioridades cruciais.

Isabelle avalia que as jornadas desgastantes e os longos deslocamentos prejudicam o desenvolvimento dos jovens. Essa rotina exaustiva compromete os estudos, a convivência familiar e o acesso a atividades culturais.

Educação e apoio inclusivo

Na zona norte, o jovem João*, de 26 anos e pai de duas filhas, reforça que a oferta inconstante de cursos profissionalizantes atrapalha a qualificação profissional. Além de almejar retomar os estudos, ele cobra suporte do Estado para crianças autistas e com deficiência nas creches comunitárias.

Já a estudante de história da Uerj Sara Sant'anna, de 24 anos, aponta a falta de polos universitários públicos e centros culturais na zona oeste. Diretora de cursinho pré-vestibular na Cidade de Deus, Sara enfatiza as barreiras geográficas impostas aos moradores de bairros mais distantes.

Enfrentamento ao racismo e saúde

Segundo o IBGE, a maioria dos habitantes das favelas cariocas é negra (21% pretos e 49% pardos). No Morro da Providência, o pesquisador Hugo Oliveira alerta que o racismo estrutural afeta desde a saúde pública até os serviços de emergência e a moradia em áreas de risco.

Oliveira ressalta que temas cruciais como o racismo ambiental e a violência obstétrica contra mulheres negras precisam de debate aprofundado nas campanhas. Para o doutor pela UFRJ, a articulação entre intelectuais comunitários e os governantes é fundamental para promover soluções eficazes.

Segurança pública e operações policiais

O produtor cultural Bruno Rafael Castilho Alves, de 46 anos, critica os discursos eleitorais focados no confronto armado. Ele defende que investimentos reais em educação, esporte e cultura são os caminhos verdadeiramente eficientes contra o crime organizado.

O morador lembra que as intensas operações policiais causam a interrupção de aulas e rotinas de trabalho, colocando vidas inocentes em risco constante. Movimentos sociais buscam apoio no Supremo Tribunal Federal para exigir um planejamento rígido nessas intervenções estatais.

Por fim, a professora Eblin Farage observa que a ausência de uma política de segurança eficiente leva o eleitorado periférico a desacreditar em propostas ostensivas. Diante disso, moradores buscam canalizar suas demandas diretamente no Poder Legislativo para tentar garantir a defesa de seus direitos fundamentais.

*Nome fictício a pedido do entrevistado.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Tomaz Silva/Agência Brasil

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