A Polícia Federal (PF) detalhou em relatórios divulgados pelo Supremo Tribunal Federal as trocas de mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro para captar recursos destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
Os documentos também apontam possíveis encontros presenciais entre ambos e investigam a participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nas negociações financeiras. Segundo a apuração, Flávio teria solicitado R$ 131 milhões ao dono do Banco Master, dos quais R$ 60 milhões foram quitados com auxílio do intermediário Thiago Miranda.
Registros de encontros e preocupação com atrasos
Mensagens registradas em agosto de 2025 sugerem a realização de reuniões presenciais. Em setembro e outubro do mesmo ano, novas conversas indicam a intenção de agendar jantares de trabalho com a equipe de produção do longa-metragem.
Em áudio enviado em setembro, Flávio demonstrou apreensão com o atraso dos pagamentos, citando o risco de reputação ao atrasar repasses para atores internacionais de renome como Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh.
Já em novembro, véspera da Operação Compliance Zero, o parlamentar reforçou a ligação com Vorcaro ao pedir um direcionamento sobre os valores pendentes em nova mensagem de texto.
Remessas internacionais sob suspeita
A investigação também monitora movimentações no exterior. Um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) identificou sete transferências da empresa Entre Investimentos para o Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos, somando US$ 12,33 milhões.
O fundo americano permaneceu inativo por quase quatro anos até receber o primeiro aporte em fevereiro de 2025. O local é gerido por Paulo Calixto, apontado pela PF como interlocutor de Eduardo Bolsonaro. Investiga-se se a quantia financiou a estada de Eduardo no país.
Em conversas interceptadas de março de 2025, Eduardo orientava que o envio fracionado do orçamento a partir do Brasil poderia retardar a operação em até seis meses, sugerindo a necessidade de fundos já disponíveis em solo americano.
Impasse documental e defesa
A PF solicitou dados contábeis e fiscais da produtora Go Up Entertainment LLC. Contudo, o sócio majoritário Michael Davis argumentou que registros mantidos nos EUA dependem de mecanismos formais de cooperação internacional para compartilhamento.
Os investigadores consideram essa documentação essencial para rastrear a origem e os beneficiários finais das quantias. Em resposta às apurações vinculadas ao caso Banco Master, Flávio e Eduardo Bolsonaro negam qualquer irregularidade.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se