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Quinta-feira, 29 de Outubro 2026
Economistas criticam corte de gastos como solução para a dívida pública
Economia

Economistas criticam corte de gastos como solução para a dívida pública

Especialistas apontam que juros elevados do Banco Central impulsionam o endividamento e defendem a preservação de investimentos sociais.

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Diante do avanço do endividamento no Brasil, economistas de correntes desenvolvimentistas questionam a pressão do mercado financeiro por reduções orçamentárias e afirmam que a dívida pública cresce devido às taxas de juros elevadas impostas pelo Banco Central, e não pelo financiamento de serviços essenciais à população.

O endividamento brasileiro escalou de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 para cerca de 82,9% em agosto de 2026. Para a ala liberal do mercado financeiro, enxugar despesas do Estado é a principal via para atingir o equilíbrio fiscal.

Por outro lado, analistas ponderam que reduções no orçamento penalizam a sociedade ao subtrair verbas cruciais da saúde, educação, previdência e assistência social. Propostas divulgadas na imprensa chegaram a sugerir cortes fiscais que variam de R$ 250 bilhões a R$ 450 bilhões.

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Sem risco de calote ou inflação descontrolada

A professora do Instituto de Economia da Unicamp, Simone Deos, descarta o risco de calote ou de explosão inflacionária decorrente do aumento do endividamento bruto. Segundo a pesquisadora, por ser emitida em moeda nacional e não em dólares, a dívida interna do país é plenamente sustentável.

Na mesma linha, o professor de economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Fernando Henrique Lemos Rodrigues, pontua que a relação entre débito e PIB permanece em patamares aceitáveis no cenário internacional, estando distante de representar um perigo iminente.

Rodrigues rejeita a comparação comum que equipara as contas do governo ao orçamento de uma família. Ele ressalta que o Estado dispõe de capacidade arrecadatória, instrumentos para alongar vencimentos e receitas provenientes de empresas estatais.

Comparativo internacional e impacto dos juros

Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) referentes a 2024 mostram que diversas nações desenvolvidas possuem patamares superiores ao brasileiro, como o Japão (236% do PIB), Estados Unidos (120%) e Reino Unido (101%).

Para os especialistas, o verdadeiro gargalo financeiro reside nos juros reais do país, atualmente fixados em 8,45% — a maior taxa mundial segundo a consultoria Moneyou. O Banco Central aponta que foram desembolsados R$ 1,1 trilhão em juros nos últimos 12 meses, equivalentes a 8,86% do PIB.

O docente da UFRRJ classifica a exigência por contenção de despesas sociais como uma pressão do setor financeiro para sustentar taxas elevadas. Como os fundos de investimento obtêm a maior parte de seus lucros na dívida pública, impõe-se a exigência de superávit primário como condição para baixar a Selic.

Caminhos e alternativas fiscais

Como alternativa à austeridade severa, Simone Deos sugere uma atuação coordenada no mercado cambial com o uso das reservas de US$ 350 bilhões em dólar para conter a inflação, permitindo a redução gradual dos juros sem comprometer o orçamento social.

Por fim, Rodrigues defende o fortalecimento dos investimentos públicos e das estatais. Ele enfatiza que aplicar recursos no bem-estar social estimula a atividade econômica, gerando emprego, renda e arrecadação que retornam posteriormente aos cofres da União.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Antonio Cruz/Agência Brasil

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