Durante um ato em memória das vítimas da Operação Contenção, realizado nesta quarta-feira (28), mães e familiares cobraram justiça rigorosa e respostas sobre a incursão policial que resultou em 122 mortes nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro.
A manifestação reuniu dezenas de pessoas na Vila Cruzeiro, na zona norte da cidade. O encontro marcou o aniversário da ação que entrou para a história recente do estado como a mais letal das últimas quatro décadas.
Confeiteira e mãe de um dos jovens mortos, Tauã Brito criticou duramente a atuação das autoridades. Ela apontou disparidades na forma como a segurança pública lida com diferentes regiões da cidade, afirmando que o direito à vida tem sido determinado pelo endereço das pessoas.
"Justiça não pode ser um privilégio de quem tem dinheiro, mora em condomínio ou ocupa cargo de poder", declarou durante o ato emocionado. Para ela, a abordagem policial nas favelas muitas vezes trata moradores como alvos descartáveis.
Outras mães enlutadas também compartilharam o sofrimento pela ausência de respostas institucionais. Familiares relataram que, passado o período da tragédia, ainda aguardam o acesso completo aos laudos periciais e aos depoimentos oficiais sobre as execuções.
Organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch, divulgaram relatórios apontando indícios de graves desvios de conduta durante a operação. Entre os pontos destacados estão falhas no uso de câmeras corporais e um alto percentual de disparos letais concentrados em regiões vulneráveis do corpo.
O Ministério Público Estadual acompanha os desdobramentos, analisando necropsias e imagens fornecidas pelas corporações. Enquanto isso, os moradores da região continuam exigindo mudanças estruturais na segurança pública e maior investimento em políticas sociais para a juventude da periferia.

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