Após fugir do Brasil para os Estados Unidos, o candidato derrotado na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), divulgou uma carta golpista em que agradece aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo apoio recebido para sair do país.
Em uma primeira versão do texto, o senador se declarava o "verdadeiro presidente eleito do país". Cerca de trinta minutos depois, o termo foi alterado pela assessoria para "líder do Brasil".
No documento distribuído à imprensa, o político afirma, sem apresentar provas, que o pleito brasileiro foi fraudado por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao estender o horário de votação.
Flávio Bolsonaro foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. Lula obteve 64 milhões de votos, enquanto o candidato do PL somou pouco mais de 59 milhões no pleito oficializado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As declarações do senador contrariam a apuração oficial e o reconhecimento da vitória por autoridades nacionais, líderes internacionais e pela Organização dos Estados Americanos (OEA).
O parlamentar também criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a entrega de seus passaportes e o proibiu de deixar o país a pedido da Polícia Federal.
Flávio é investigado em inquéritos no STF que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas e o financiamento de uma produção cinematográfica.
Na mensagem, o senador confirmou que pretende coordenar a oposição política a partir do exterior, assumindo riscos que, segundo ele, os parlamentares em solo brasileiro não podem correr.
A versão inicial do comunicado exibia um brasão desatualizado com a grafia "Estados Unidos do Brazil", nomenclatura abandonada pelo país em março de 1967.
Críticas nos Estados Unidos
O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos criticou a postura do governo estadunidense em conceder visto de entrada ao senador brasileiro.
Através de redes sociais, parlamentares democratas compararam a facilidade de trânsito concedida à família Bolsonaro com as restrições impostas a refugiados de conflitos internacionais.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se