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Segunda-feira, 31 de Agosto 2026
Governo projeta arrecadação de R$ 41,9 bilhões com Imposto Seletivo da reforma tributária em 2027
Economia

Governo projeta arrecadação de R$ 41,9 bilhões com Imposto Seletivo da reforma tributária em 2027

Previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual, o novo tributo sobre itens prejudiciais à saúde e ao meio ambiente aguarda regulamentação no Congresso Nacional.

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O Governo Federal estimou que o Imposto Seletivo, criado no âmbito da reforma tributária para desestimular o consumo de produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente, deverá gerar uma arrecadação de R$ 41,9 bilhões em 2027. O montante consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), submetido ao Congresso Nacional na última segunda-feira (31).

Popularmente conhecido como 'imposto do pecado', a nova taxa incidirá sobre artigos como cigarros, bebidas alcoólicas, refrigerantes e veículos poluentes. Além disso, a lista inclui a extração de recursos minerais, loterias e apostas esportivas.

Apesar de a cobrança estar agendada para começar em 2027, as regras detalhadas de funcionamento do tributo ainda dependem da aprovação de um projeto de lei específico por parte dos parlamentares.

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Produtos taxados

Entre os principais itens e atividades sujeitos à alíquota do Imposto Seletivo estão:

• Cigarros e derivados do tabaco;

• Bebidas alcoólicas e refrigerantes açucarados;

• Automóveis, segundo o nível de emissão de poluentes;

• Mineração, apostas eletrônicas e jogos virtuais.

Conforme explicado pelo Ministério da Fazenda, a transição inicial buscará manter a carga tributária em patamares equivalentes aos atuais. Contudo, em uma fase subsequente, as alíquotas sofrerão reajustes regulatórios para desencorajar o consumo dessas mercadorias.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, destacou durante coletiva sobre o PLOA de 2027 que a projeção visa repor a arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Sobre as apostas virtuais (bets), Durigan enfatizou que a incidência tributária é inédita e busca um equilíbrio tarifário que impeça tanto a irrelevância da cobrança quanto o fomento do mercado clandestino.

Impacto na saúde pública

Para fundamentar a implementação da taxa, o governo federal aponta os expressivos custos públicos gerados pelo tratamento de enfermidades decorrentes desses produtos.

Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgados pelo Ministério da Saúde indicam que o consumo de álcool gerou um custo de R$ 18,8 bilhões em 2019. Desse total, R$ 1,1 bilhão foi destinado diretamente a internações e procedimentos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Já os malefícios causados pelo tabagismo custam anualmente R$ 153,5 bilhões ao país, somando atendimentos médicos e perda de produtividade profissional.

As estatísticas oficiais ainda revelam que:

R$ 86,3 bilhões correspondem a custos indiretos associados ao tabagismo;

R$ 8 bilhões entram nos cofres públicos via tributação de cigarros;

R$ 3 bilhões são dispendidos pelo SUS no combate a doenças oriundas de bebidas ultraprocessadas.

Reestruturação do sistema fiscal

O Imposto Seletivo faz parte da reestruturação tributária aprovada pelo Congresso Nacional em 2023, cuja transição completa se estenderá até o ano de 2033.

A partir de 2027, o tributo passará a vigorar simultaneamente com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), imposto que substituirá tributos federais como PIS, Cofins e parte do IPI.

A previsão orçamentária para 2027 projeta a captação de R$ 636 bilhões por meio da CBS. Somada ao Imposto Seletivo, a arrecadação conjunta das novas tarifas deve alcançar R$ 677,9 bilhões.

Esses ingressos financeiros são considerados essenciais para garantir a sustentabilidade fiscal do país durante a transição para o novo modelo econômico.

Posicionamento do setor produtivo

Setores industriais afetados pela medida alegam que segmentos como o de tabaco e bebidas já suportam uma das maiores cargas tributárias do país.

Entidades representativas alertam que novos aumentos fiscais podem encarecer os produtos para o consumidor final, gerar desemprego e impulsionar o mercado ilegal.

Em contrapartida, o governo reitera que o tributo possui caráter predominantemente regulatório, almejando a diminuição de hábitos prejudiciais à saúde da população e à preservação ambiental.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Valter Campanato/Agência Brasil

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