(Por Felipe Domingos) Há nomes que são apenas nomes. E há aqueles que carregam histórias, lembranças e até um pouco da alma de um lugar.
Jaguari é um deles. Mas basta olhar para documentos antigos, fotografias, jornais e registros de outras épocas para surgir uma dúvida que, vez ou outra, volta à conversa dos jaguarienses: afinal, é Jaguari ou Jaguary?
E, cá entre nós, parece que alguém, em algum momento da nossa história, resolveu tirar uma letrinha do lugar. Tiraram o “Y” de Jaguari!
Conversei com algumas pessoas, ouvi explicações e fui atrás de informações sobre a origem do nome. A explicação mais conhecida remete à língua guarani: “Jaguar-y”, numa interpretação tradicional, estaria relacionado ao rio do jaguar. O “jaguar” faria referência ao animal que habitava a região, enquanto o “Y”, na língua guarani, está relacionado à ideia de água ou rio.
E aí começa a nossa história.
Com o passar dos anos, Jaguary foi deixando espaço para Jaguari. A escrita com a letra “I” acabou se tornando a forma utilizada no cotidiano, nos documentos e na identificação oficial do município. O tempo passou, a grafia se consolidou e o “Y” foi ficando para trás.
Mas quando exatamente aconteceu essa mudança?
Quem decidiu?
Foi uma determinação? Uma adaptação da escrita? Um costume que simplesmente pegou?
Talvez a resposta esteja escondida em algum documento antigo, em algum arquivo ou na memória de quem conhece profundamente a história de Jaguari. E talvez seja justamente essa dúvida que torne o assunto ainda mais interessante.
Porque Jaguary não é apenas uma forma diferente de escrever Jaguari. É uma maneira de olhar para o passado e lembrar que, antes de sermos a cidade que conhecemos hoje, houve um território, um rio, uma fauna, povos originários e muitas histórias que ajudaram a construir a nossa identidade.
Por isso, quando alguém escreve Jaguary, não vejo necessariamente um erro. Vejo uma tentativa de resgatar uma palavra que ficou pelo caminho. E quando escrevo Jaguary, faço isso de propósito. Não para contrariar a forma oficial do nome do município, mas para provocar a memória. Para lembrar que as letras também contam histórias.
Hoje somos Jaguari. Mas lá no passado, fomos Jaguary. E, se uma simples letra pode despertar tanta curiosidade sobre a origem do lugar onde vivemos, talvez ela mereça voltar a ser lembrada.
Afinal, tiraram o “Y” de Jaguari, mas não conseguiram tirar a história que ele carrega.
