Por Igor Tambara, prefeito de Jaguari
Por muito tempo, Jaguari se acostumou a olhar para as próprias dificuldades antes de conseguir enxergar o que tem de melhor. Como gestor público, aprendi que oportunidade não cai do céu. Quem quer que ela exista precisa construí-la, e é esse o trabalho que estamos fazendo no município.
A retomada do nosso calendário de eventos faz parte de um projeto maior de reposicionamento da cidade e parte de uma pergunta simples: quais são as vocações de Jaguari e como transformá-las em desenvolvimento econômico. A Feicoagro deste ano deu a primeira resposta. Na 15ª edição, celebrando 30 anos de história, a feira recebeu mais de 20 mil visitantes, ocupou todos os estandes e movimentou mais de R$ 5,5 milhões em negócios e prospecções comerciais. Recuperamos um espaço que fortalece a produção local e irradia resultados para toda a região. A feira mostrou que, quando o poder público organiza, dialoga com o setor produtivo e abre caminho, quem empreende responde. E responde gerando negócios, renda e novas perspectivas.
O Carnaval de Rua segue a mesma lógica. A festa lota hotéis e restaurantes, aquece o nosso comércio e sustenta uma cadeia de serviços que vive da presença de visitantes na cidade. O impacto não termina quando a música para. Ele alcança quem trabalha com alimentação, hospedagem, transporte, comércio, produção cultural e tantos outros serviços. A cada edição, ouvimos quem está na ponta, de comerciantes a artistas e voluntários, para aprender e melhorar sempre.
O retorno do Grito do Nativismo Gaúcho, festival que marcou a música do Rio Grande do Sul entre 1987 e 2012, resgata um capítulo valioso da nossa trajetória cultural e recoloca Jaguari no calendário da cultura gaúcha, posição que já foi nossa e que queremos voltar a ocupar. É também uma forma de mostrar que preservar a memória não significa ficar parado no tempo.
Já o Festival do Risoto, que nasceu recentemente, prova que sabemos criar novas tradições. Nossa gastronomia virou uma experiência com força para atrair gente de fora e dar aos visitantes um motivo a mais para ficar, mostrando que a cidade pode inovar sem abrir mão da sua identidade. É esse equilíbrio entre aquilo que somos e aquilo que ainda podemos ser que orienta nosso projeto de desenvolvimento.
Turismo e economia andam juntos. O dinheiro de quem chega circula pelo comércio, pelas pousadas, pelos restaurantes e também chega ao produtor rural e ao artesão. Eventos bem organizados divulgam a cidade e abrem portas para novos negócios. O resultado mais valioso disso tudo é a retomada do nosso orgulho. Jaguari voltou a acreditar na própria força. Hoje, somos uma cidade mais confiante e que enxerga possibilidades antes ignoradas.
Queremos uma Jaguari cada vez mais preparada para receber bem quem chega e crescer com quem fica. Uma cidade que honra sua história sem viver presa a ela, com coragem para criar o novo. A retomada dos eventos é a parte mais visível do caminho que estamos trilhando. O que vem junto é uma cidade que reaprendeu a apostar em si mesma.
