Você sabia que Jaguari já teve uma vila praticamente levada pelas águas do Rio Jaguari?
Na década de 1980, existia na parte baixa da cidade a Vila Carlos Callegaro, uma homenagem ao ex-prefeito que administrou Jaguari entre 1960 e 1964. A comunidade ficava nas proximidades da Ponte Seca e da Rua Dante Sesti, justamente na região que atualmente dá acesso ao Bairro Consolata.
Em maio de 1984, Jaguari enfrentou uma das maiores enchentes de sua história. O Rio Jaguari ultrapassou os 14 metros acima do nível normal e a força das águas atingiu duramente as áreas mais baixas da cidade.
Grande parte das casas era construída de madeira e não resistiu à força da correnteza. Muitas foram destruídas ou simplesmente carregadas pelas águas, deixando dezenas de famílias sem suas moradias.
Recortes de jornais da época mostram que, poucos dias depois da enchente, houve uma grande mobilização envolvendo o poder público e a comunidade local e regional.
Foi a partir daquele movimento de reconstrução que surgiu o Bairro Consolata, que passou a abrigar famílias atingidas pela enchente.
Em 1984, a resposta à tragédia foi marcada pela mobilização da comunidade e pela construção de novas moradias para quem havia perdido tudo.
A iniciativa faz parte do Missão Reconstruir Jaguari 2.0 e tem como público prioritário, nesta primeira etapa, famílias atingidas pelos eventos climáticos que atendam aos critérios do programa A Casa é Sua – Calamidade.
A comparação entre os dois momentos também revela como mudou a forma de construir e planejar a habitação.
Mudaram as casas, mudaram as técnicas de construção e mudou a estrutura dos programas públicos. Mas uma coisa permanece: depois de uma grande enchente, reconstruir significa também devolver às famílias o direito de ter um lugar para chamar de lar.
E talvez essa seja uma das curiosidades mais marcantes da história recente de Jaguari: o Bairro Consolata nasceu justamente de uma grande tragédia climática e, décadas depois, o município volta a discutir a construção de novas moradias para famílias afetadas pelas águas.
De 1984 a 2026, as casas mudaram. A necessidade de recomeçar, não.
