A redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, anunciada nesta quarta-feira (16) pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, foi avaliada como insuficiente por representantes da indústria e dos trabalhadores.
Para as entidades, a decisão do Copom demonstra um excesso de prudência que não traz o alívio necessário para a situação financeira das empresas e das famílias no país.
Após a divulgação do corte, que levou o indicador para 13,75% ao ano, a Confederação Nacional da Indústria apontou que há um descompasso entre a prudência adotada e a queda inflacionária recente.
Segundo a CNI, a trajetória de desaceleração de preços e a convergência gradual para a meta criam espaço seguro para avançar no ciclo de cortes sem comprometer a estabilidade econômica.
O presidente da confederação, Ricardo Alban, ressaltou que manter o juro básico em um patamar tão restritivo por muito tempo impõe um custo desnecessário para assegurar a estabilidade de preços.
Ainda de acordo com a análise industrial, mesmo após o ajuste, a política monetária permanece austera, com o juro real ainda significativamente acima da taxa neutra estimada pelo Banco Central.
Visão dos trabalhadores e impacto no crédito
Do lado dos trabalhadores, a Central Única dos Trabalhadores classificou o recuo como um passo importante, mas aquém das necessidades devido ao patamar ainda muito elevado dos juros no Brasil.
Neiva Ribeiro, dirigente sindical, destacou que custos menores de empréstimos são fundamentais para abrir espaço ao crédito e movimentar a economia real.
Para a Força Sindical, por sua vez, a medida representou um balde de água fria para o setor produtivo no último trimestre, limitando o potencial de geração de empregos e o consumo das famílias.
Repercussão na construção civil
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção avaliou a movimentação como positiva, mas ponderou que a continuidade dos cortes é urgente para destravar investimentos de longo prazo.
O presidente da CBIC, Eduardo Almeida, reforçou que o setor depende fortemente de crédito e previsibilidade, pilares que continuam desafiados pelo atual patamar restritivo dos juros.

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