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Sexta-feira, 18 de Setembro 2026
Violência contra as mulheres molda a rotina de 98% das brasileiras
Direitos Humanos

Violência contra as mulheres molda a rotina de 98% das brasileiras

Pesquisa revela que o medo da violência limita escolhas de lazer, trabalho e estudos, afetando profundamente a mobilidade urbana.

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A violência contra as mulheres no Brasil gera um impacto profundo que atinge 98% da população feminina, forçando a adoção constante de estratégias de autodefesa e alteração de rotinas. Realizado pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber, o levantamento aponta que 78% das brasileiras já sofreram algum tipo de agressão ao longo da vida, moldando um cenário cotidiano de restrições.

Os dados completos foram divulgados no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A amostra ouviu 1.500 pessoas maiores de 16 anos em todas as regiões do país, utilizando entrevistas digitais realizadas entre os dias 22 e 30 de abril de 2026, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais.

O medo é generalizado, mas afeta as mulheres com maior intensidade: 94% sentem-se inseguras no dia a dia, índice que se repete nos deslocamentos urbanos. Em comparação, 84% dos homens relatam temor geral e 90% sentem receio ao circular pelas cidades brasileiras.

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“A pesquisa mostra que o medo da violência atravessa a forma como as mulheres vivem e circulam pelas cidades. E esse medo não surge do nada, ele é alimentado por experiências concretas”, afirma a diretora de Pesquisa do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê.

Restrições e mudanças de hábitos

Para mitigar riscos, 90% das mulheres evitam locais específicos. A vigilância inclui não compartilhar localização nas redes (88%), evitar o uso do celular nas ruas (84%) e avisar conhecidos sobre horários e trajetos (83%).

As escolhas profissionais e acadêmicas também sofrem impactos diretos. Cerca de 45% das entrevistadas afirmam ter perdido oportunidades de trabalho ou estudo devido à insegurança, enquanto 44% já consideraram mudar de bairro ou cidade.

“A insegurança deixou de ser uma percepção pontual e se transformou numa rotina de cálculos e renúncias silenciosas”, ressalta a diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Vera Vieira.

Demandas por políticas públicas

No campo político, 78% das mulheres afirmam que propostas voltadas à segurança urbana influenciarão seus votos nas próximas eleições. A maioria cobra ações mais efetivas dos governos e do Poder Judiciário, além de melhorias estruturais como iluminação pública e transporte seguro.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

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