O repórter fotográfico Tomaz Silva, profissional da Agência Brasil, conquistou o prestigiado Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos nesta quarta-feira (30). A premiação consagrou um registro histórico e impactante feito no Rio de Janeiro, que retrata a despedida dolorosa de uma viúva após a ação policial mais violenta já registrada no estado fluminense.
A imagem, capturada no Complexo da Penha em outubro de 2025, mostra Fernanda da Silva Martins abraçada ao corpo de seu companheiro. A força da fotografia fez com que o registro ganhasse repercussão imediata, sendo replicado por diversos veículos de imprensa nacionais e internacionais.
De acordo com os jurados da premiação, a obra traduz com precisão o sofrimento humano decorrente da violência urbana. O comitê destacou que a sensibilidade de Tomaz Silva permitiu revelar a dimensão trágica e íntima das perdas sofridas pela comunidade carioca.
Ao relembrar o momento do registro, o fotógrafo relatou o cenário desolador que encontrou logo cedo na comunidade. Diante de dezenas de corpos levados por moradores, o profissional buscou um ângulo que priorizasse a dignidade humana em vez do choque visual.
“Decidi me abaixar para dar visibilidade às pessoas em sofrimento, e não ao acúmulo de corpos. Naquele instante, tocando uma das vítimas, também chorei”, revelou Tomaz, ressaltando o papel da comunicação pública no fortalecimento da democracia.
Reencontro de esperança e dor
A tragédia ocorreu durante a Operação Contenção, em outubro de 2025, considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, com um saldo de 122 mortes. Meses depois, em janeiro de 2026, a equipe de reportagem reencontrou Fernanda.
Ao rever a imagem que comoveu o país, ela validou a sensibilidade do registro profissional. “Ali, as pessoas realmente sentiram a minha dor. Foi uma fotografia de um sentimento muito real”, declarou Fernanda da Silva Martins.
História e relevância do prêmio
Criado em 1979, o prêmio homenageia Vladimir Herzog, jornalista assassinado pela ditadura militar brasileira em 1975. Em sua 48ª edição, em 2026, a iniciativa segue consolidada como o principal reconhecimento a profissionais que defendem os direitos humanos e a democracia.

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